Coração de luto
Sei que a vida é assim. A gente nasce, vive e morre. Mas quando alguém que amamos se vai, cai por terra todos os conceitos que temos sobre vida, morte, fé. Depois, os dias vão passando, e a gente busca conforto para seguir.
Nossos dias têm sido assim desde 8 de março, data em que Ricardinho, meu sobrinho, partiu para um outro plano de vida. Só não sabemos ainda porque tão precocemente e confiamos que um dia possamos desvendar esse mistério e nos confortar sabendo que ele, Ricardinho, foi porque “lá” seria melhor. Com fé vamos chegar a essa conclusão.
Por equanto tudo é saudade. E saudade doída. Falo como tia amorosa. Mas sei que as dores de Bastinho, meu irmão e pai, de Lourdes, minha cunhada e mãe, Serginho, meu sobrinho e irmão e Dani, esposa, são infinitamente maior que a minha. Os laços de mãe e pai não se comparam.
Queria ter as palavras certas para dizer nessas horas tão inesperadas de extrema saudade e dor, mas não tenho. Busco agora estar perto, compartilhar, dividir as horas que demoram mais a passar, ligar, ouvir a voz deles…penso que assim posso dizer sem falar tudo que sinto. Se eu pudesse pegar a dor e dividir em muitos pedaços, o faria agora. Mas essa parece ser intransferível.
Ricardinho era muito alegre, feliz, intenso. Agora mergulho nas lembranças do seu sorriso, na força de sua garra, na determinação para chegar aonde queria. Talvez isso nos reanime e reerga nosso ânimo com a coragem e a fé que ele tanto demonstrou ter durante sua vida.
Fico a me perguntar se a vida de Ricardinho foi curta. Pra nós foi, claro. Deus tem a explicação, mas prefere nos dizer pela nossa observância da própia dor. Será nela que vamos achar as respostas. Creio que sim. Quando? Torço para que o mais breve possivel. Pois sem o sorriso de Ricardinho, ficou mais dificil sorrir.
Hoje faz dez dias que ele se foi. Mas agora tenho a sensação que foi ontem.